todos, nenhum: simplesmente humano - depois do rush resenha

Todos, Nenhum: Simplesmente Humano, de Jeff Garvin

Oii, gente. Como vocês estão? Bem, eu estou surpreendida, assimilando coisas ainda. Então vamos falar sobre Todos, Nenhum: Simplesmente Humano.

Sinopse

É natural do cérebro humano classificar as coisas assim que as vê, encaixa-las em uma categoria conhecida. Se é Sim ou é Não, por exemplo. Mas quando algo não é nenhuma das únicas opções conhecidas nós ficamos curiosos, e em alguns casos, furiosos, já que tendemos a odiar o que não entendemos.
Riley, 16 anos, vê a confusão nos olhos de todas as pessoas, presencia a tentativa de classificar em todo mundo: “você é menino ou menina?”, mas Riley não se encaixa em nenhuma dessas categorias, e ao mesmo tempo, se encaixa nas duas. Confuso?

A personagem protagonista de Todos, Nenhum: Simplesmente Humano, de Jeff Garvin, é gênero livre, o que significa que em determinados dias se sente como uma menina e em outros, como um menino.  Sem assumir sua identidade de gênero, Riley tenta agir e se vestir em um meio-termo, e essa omissão do seu eu verdadeiro causa problemas de ansiedade e disforia. Para ajudar, além dos medicamentos, sua psicóloga sugere que Riley escreva um blog anonimamente para que possa pôr para fora tudo o que se obriga a reprimir.

O blog acaba viralizando e milhares de pessoas leem suas confissões, até que alguém descobre quem escreve.  Riley sofre a ameaça de ter exposta sua identidade, forçando-o (a) a algo que não está preparado e que ameaça a candidatura de reeleição à deputado de seu pai. Riley vai excluir seu blog e todos os amigos que fez ou vai enfrentar os desafios e suas consequências em assumir quem realmente é em um mundo ainda repleto de pessoas que não aceitam diferenças?

OUVINDO Depois do rushOUVIDO: There She Goes, de The La’s

A leitura existe para conhecermos novas realidades, desconstruir coisas e viver novas experiências. Amplia nossos horizontes e abre nossos olhos (como para muitos, como eu, que não conheciam o termo gênero livre ou tivesse maior contato com situações semelhantes. Serve para vermos além do “nosso mundinho” e entendermos melhor o outro, sermos seres humanos melhores, sermos Humanos. Jeff Garvin traz um tema ainda sensível e polêmico, que deveria ser natural para todos.

Quero dizer de antemão que não adianta buscar resolver o mistério do sexo de Riley, por que isso Não Importa. No começo é complicado sim, eu queria saber o sexo da personagem para poder imaginá-la melhor na minha cabeça, e em certas partes do livro o desejo de saber se intensifica mais. O autor toma o cuidado de não usar nenhum pronome de tratamento feminino ou masculino e cria uma personagem incrível, com personalidade, gostos, ideais, e características físicas. Tudo isso sem o primeiro detalhe que descobrimos em todos os demais personagens: Menino ou Menina.

A escrita do livro é em primeira pessoa e é bem fluída, não pareceu ter 400 páginas, passaram bem rápido. Riley escuta várias músicas enquanto bloga, então há uma playlist bem bacana também. No fim do livro temos uma nota do autor bem interessante que nos conta um pouco sobre a criação da personagem. Após os agradecimentos temos alguns esclarecimentos sobre alguns termos e as principais identidades de gênero, isto, e toda a obra em si, é fruto de muita pesquisa do autor.

Gostei dos personagens secundários e sua importância na história, mas notei uma certa ausência de ambientação. Nada que atrapalhe a leitura ou que você não saiba onde está, mas é uma ilustração rápida, sem muitos detalhes.

Foi uma experiência muito diferente pra mim ler este livro já que foi minha primeira leitura com personagem principal LGBTQ+ (lésbico, gay, bissexual, transexual, queer, +). Sabemos que algo diferente do gênero binário (masculino OU feminino. Hétero) ainda não é aceito por muitas pessoas. Em Todos, Nenhum: Simplesmente Humano acompanhamos a vida de alguém adolescente que está preso dentro do próprio corpo e não diz quem é por medo da reação dos pais, dos amigos e do mundo. E o mais triste de tudo é que é um medo justificado, já que os níveis de preconceito são diversos e cruéis.

No blog de Riley ele lê mensagens de seguidores de diversas identidades LGBTQ+, contando sobre suas escolhas em esconder e assumir a si mesmos e as consequências disso. Entre ameaças e xingamentos de anônimos, relatos de reações negativas à se assumir, também há o depoimento de várias pessoas que disseram para o mundo quem são por dentro.

A forma como a história foi contada facilita muito conhecer um pouco mais a realidade das milhares de pessoas, que estão em situações como as de Riley e seus seguidores. Causa muita empatia sim, mas não direi que ENTENDO mesmo, já que só quem passa por isso sabe realmente como é.  Assim como causou empatia, me causou muita indignação e momentos de raiva quando os preconceitos aconteciam, principalmente os mais extremos.

Estou tocando em um assunto “delicado” sim, mas que PRECISA ser discutido.  As pessoas são relutantes em aceitar o diferente, não entendem, julgam anormais, patológicas e pecaminosas as pessoas que não se identificam como heterossexuais. Mas acontece que: A Heteronormatividade (“regime social, político, econômico e cultural que mantém a heterossexualidade e gênero binário como única possibilidade”) não provém da natureza.

Foi “CONSTRUÍDO PELO SER HUMANO AO LONGO DA HISTÓRIA DA HUMANIDADE”. Não é por que alguém disse que as coisas são apenas de uma forma, que toda a humanidade é obrigada a segui-la.
Basta nos respeitarmos como simplesmente humanos. Diferentes, mas iguais, afinal: podemos ser mais de uma opção.

Recomendo Todos, Nenhum: Simplesmente Humano para todo mundo! Levou 5 selos. Depois de tanto me “ouvirem” vou adorar saber a opinião de vocês!

Nome: Todos, Nenhum: Simplesmente Humano
Autor: Jeff Garvin
Páginas: 400

Você pode conferir a playlist do livro no Spotify.

5 SELOS depois do rush- todos, nenhum

(sugestão de livro com outra temática tão importante: Resenha Tarde Demais- Colleen Hoover).

Até a próxima!

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